Poema de Caeiro
Apetece-me ler Caeiro e beber a sua escrita sóbria, desinteressada, fria. Escrita, assim, num encontro da alma com sua dimensão lhana do ser, num alheamento suave. Afastar-me do ruído do mundo, do vozear confuso e caótico dos profetas da desgraça.
Agora, assim, a olhar a nudez dos troncos das árvores, a rir-me da imensa ambição dos planejadores do nosso medíocre MUNDO, eis o prazer de reler Caeiro.
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
Agora, assim, a olhar a nudez dos troncos das árvores, a rir-me da imensa ambição dos planejadores do nosso medíocre MUNDO, eis o prazer de reler Caeiro.
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

2 Comments:
Venho aqui regularmente e o blog é muito bacano. Tenho um Link para ele no meu Blog: O Último Primata!
E já agora vê lá se metes aqui um Link para lá.
http://oultimoprimata.blogspot.com/
Feliz Natal!
Natal sem sinos - Manuel Bandeira
No pátio a noite é sem silêncio
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?
Ah meninos sinos
De quando eu menino!
Sinos da Boa Vista e de Santo Antônio.
Sinos do Poço, do Monteiro e da Igrejinha de Boa Viagem.
Outros sinos
Sinos
Quantos sinos!
No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
De quando eu menino.
Bimbalhai meninos.
Pelos sinos
De quando eu menino,
Pelos sinos (sinos
Que não ouço), os sinos de
Santa Luzia.
Rio, 1952
Enviar um comentário
<< Home