sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Regresso a casa
Entrei no portão verde, a que a intempérie vai diluindo a cor. Ao lado do passeio, no tanque granítico, ainda jorra água,borbulhetando em cachos. Os limos ondulam como cabelos.
Depois desci as escadas rombas dos muitos anos e canseiras. Do meio do quintal, ermo, olho a massa cinzenta da casa, a longa varanda aberta a sul.
Vêm, a pouco e pouco, os rostos, as vozes que me acariciam a memória.
O que fica de nós após os tempos? Que marcas deixaremos grafadas na superfície das coisas?
Olho as portas, os objetos cobertos do pó e revejo os vestígios da tua presença, mãe.
Há três, três dolorosos anos que a tua ausência me deixa um vazio insanável.
Agora, a olhar para os espaços que habitaste, regressas subtilmente, como um afago terno e suave.
Por isso, mais do que o valor prático dos despojos, é inestimável a tua presença neles. Assim, sempre que posso, te revisito, aí, porque é aí que mais perto te sinto.
Até já, Mãe.
Depois desci as escadas rombas dos muitos anos e canseiras. Do meio do quintal, ermo, olho a massa cinzenta da casa, a longa varanda aberta a sul.
Vêm, a pouco e pouco, os rostos, as vozes que me acariciam a memória.
O que fica de nós após os tempos? Que marcas deixaremos grafadas na superfície das coisas?
Olho as portas, os objetos cobertos do pó e revejo os vestígios da tua presença, mãe.
Há três, três dolorosos anos que a tua ausência me deixa um vazio insanável.
Agora, a olhar para os espaços que habitaste, regressas subtilmente, como um afago terno e suave.
Por isso, mais do que o valor prático dos despojos, é inestimável a tua presença neles. Assim, sempre que posso, te revisito, aí, porque é aí que mais perto te sinto.
Até já, Mãe.
segunda-feira, maio 31, 2010
SPQR
Poema
SYMPOSIUM do Amor
O poeta chegou de pena em riste e escreveu:
- Amor é fogo que arde, arde…
- Pois arde, arde!...
no corpo, no bolso...
Comentaram os poetas amadores
De rosas e rimas.
Mas logo outros poetas
Mais desencantados
E tocados do agridoce sabor
do desamor que dói e se sente
Sopraram: um desapontado talvez...
um lampejo apenas…
Um cintilar esperançado…
um suave lume…
De verbo
aceso e inflamada
Rima, outros alvitraram um «incêndio»
Que queima em chama viva.
Mas os poetas cínicos
Tremeram de frio e disseram
Tudo se consumiu
E agora resta para tristeza e mágoa
apagado o pavio.
Manuel Guimarães
O poeta chegou de pena em riste e escreveu:
- Amor é fogo que arde, arde…
- Pois arde, arde!...
no corpo, no bolso...
Comentaram os poetas amadores
De rosas e rimas.
Mas logo outros poetas
Mais desencantados
E tocados do agridoce sabor
do desamor que dói e se sente
Sopraram: um desapontado talvez...
um lampejo apenas…
Um cintilar esperançado…
um suave lume…
De verbo
aceso e inflamada
Rima, outros alvitraram um «incêndio»
Que queima em chama viva.
Mas os poetas cínicos
Tremeram de frio e disseram
Tudo se consumiu
E agora resta para tristeza e mágoa
apagado o pavio.
Manuel Guimarães
segunda-feira, abril 07, 2008
Até os anjos comem feijões
Cada povo tem o céu que merece. Vejam só a caricatura de um anjo, tão roliço, tão pícaro....
E já agora, a nossa vidazinha política com tantos pícaros e bonifrates. Há os obesos, daquela gordura imensa, da sabugice, da visão estreita e tacanha, da miopia.
Por isso, o nosso idealismo está assim, preso a uma carne flácida, sem músculo, doente de inércia, de falta de jeito e de gosto.
sábado, abril 05, 2008
Esta espécie de nevoeiro
Pessoa, no estrebuchar da 1.ª Republica, disse: «Nem rei, nem lei nem paz nem guerra»...
E, hoje, uma sensação em parte semelhante nos domina. Já não é a nostalgia de um rei saído das brumas, nem dum caudilho mais ou menos musculado que nos faz falta. Mas, então, o que será?
Creio que neste século novo que há pouco se inaugurou já não se esperava que esta nação adulta enfermasse de pueris maleitas, de achaques próprios de imberbes países que não sabem quem são nem para onde vão.
Mas que mágoa no fundo chora? Que insastifação nos domina e nos ameaça quebrar o ímpeto?
Nas retinas desfilam imagens. Algumas são ferros rubros que nos fazem sangrar na carne e deixam marcas terríveis. Amanhã estarão por aí disseminadas por todas as janelas do ciberespaço. E todos reverão o fiasco em que se tornou um país que quis passar sem a obrigação dos pais educarem os seus filhos e lhes transmitirem as regras básicas de estar numa sociedade que só pode funcionar com regras.
segunda-feira, março 17, 2008
Não será a orientação? Diga lá!
Um mineiro começou a pesquisar água na sua pequena horta, à beira-mar plantada. escavou, escavou e nada. Mesmo ao lado o seu hermano nadava em felicidade e proventos: o seu poço jorrava com saciedade.
- Olhe aí, ó entendido.Não será uma questão de orientação? Não será mais ao lado, o filão que nos há-de saciar a sede?
- Olhe aí, ó entendido.Não será uma questão de orientação? Não será mais ao lado, o filão que nos há-de saciar a sede?
domingo, março 16, 2008
Porque é dia da poesia
Não vou ficar assim
a ver os dias
escorrerem cinzentos
dormentes e tristes
Não vou silenciar
as ondas
nem calar a voz sonâmbula
das sombras
Vou esculpir na pele rugosa das árvores
as linhas curvas dum
qualquer fado
captar num traço
o gemer da terra
o brilho da estrela
e o sopro fresco do vento
Poema
funde no teu corpo
a quentura dos sentidos
afaga-os com o aveludado das vogais
porque a vida se torna mais viva
na poesia.
Manuel Guimarães
a ver os dias
escorrerem cinzentos
dormentes e tristes
Não vou silenciar
as ondas
nem calar a voz sonâmbula
das sombras
Vou esculpir na pele rugosa das árvores
as linhas curvas dum
qualquer fado
captar num traço
o gemer da terra
o brilho da estrela
e o sopro fresco do vento
Poema
funde no teu corpo
a quentura dos sentidos
afaga-os com o aveludado das vogais
porque a vida se torna mais viva
na poesia.
Manuel Guimarães
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Luz água rocha
E vi-me ali perante o indizível. A luz coada da bruma, o disco vermelho do sol a transparecer do véu de cinza e o rugido da espuma branca das ondas, num vai-vém sensualmente ritmado, contra a rudeza granítica da curta escarpa.Ao lado, a austera e nítida brancura da ermida.
Atrás, guardião das misteriosas vagas, o sereno farol.
Lavados os olhos da labiríntica propaganda, aquele chá foi um momento singular de amor à terra e ao mar e à luz e à arte simples que conjuga de forma tão modelar a paisagem e o carácter luso.
Então, no final da breve pausa, pude dizer BOA Viagem. E parti em busca da eterna ilha perdida que havemos de encontrar para além da bruma.
Foto: colhida em http://www.diassilva.com/guardiao/casacha3.jpg
quarta-feira, novembro 07, 2007
Longa ausência
Pensei que seria o fim, mas afinal foi só até já. Assim se justifica esta longa ausência. Ver-nos-emos por aqui...
Uma questão de justiça
Estou indignado!
Mas não é que o programa era para um espectáculo de teatro, e sai-me na rifa um funeral?
Que Garrett descanse em paz, porque depois do que vi fazer à sua obra prima (Frei Luís de Sousa), não sei se o dramaturgo não terá sido assassinado durante mais 90 minutos.
Actus, assim se chama a trupe, mas seria melhor apodar-se de pré-actus, pois aquilo teve mais de ensaio de leitura corrida do que de uma verdadeira encenação. Uma esboço de encenação, representações tímidas, sem brilho nem talento, e só ninguém dormiu na plateia porque não se pôde calar a incansável tagarelice da assistência.
Mea culpa, assim não consegui motivar nenhum dos meus alunos para o drama de Garrett.
segunda-feira, março 26, 2007
Saudação à primavera
Subiu à rocha alcantilada
altar de sacrifícios lustrais
depois envergou a túnica de alvo linho
olhou no âmago de si
buscou a chave do seu enigma.
Voltado a nascente
convocou a luz quente dos astros
escutou o pulsar fértil da terra
brandiu o ceptro rutilante e mágico
e entoou os hinos do grande Início.
À sua frente jorraram fontes
brotaram folhas nos troncos nus
latejou o sangue de bichos esquivos
pássaros desvairados cruzaram o vasto céu.
Longe da cinza dos muros
ouviu-se a si na sua voz órfica.
Então cantou o esplendor da luz
a força densa da terra
o vibrar da vida
E tudo fixou nas variações do verbo.
quinta-feira, março 01, 2007
História de mulas e camelos
Os políticos servem-se e poderão também servir para alguma coisa.
Por vezes, no lodaçal, desabrocha uma flor. Seria bem interessante que mais flores por lá (o seu viveiro predilecto - o parlamento) se vissem, e não tantas «florzinhas»...
Mas a flor que ontem despontou é de um perfume raro, tresanda a conselheiro Acácio e outros espécimes.
E se a propósito de dramas sociais e humanos, como o do «desemprego», fôssemos mimados com chalaças de «mulas» e «camelos»?
Pois foi mesmo isso que aconteceu, ontem. O Chico do BE interpelou o Zé-Primeiro acerca dos números do desemprego em Portugal; e com a graça que o caracteriza aquele comparou o raciocínio do Zé-Primeiro com a imagem do camelo, dizendo que porque houve duas bossas (momentos altos de desemprego) e uma baixa, isso não fazia com que o camelo se tornasse, por cálculo de média, numa mula.
Como, sabemos estamos entregues aos bichos, com ou sem bossas.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Day after
Passou a campanha para o referendo sobre a IVG (aborto), gastaram-se argumentos, esgrimiram-se razões, pintaram-se cenários das cores mais variadas. Pessoalmente optei pelo silêncio, não é que não tenha opinião sobre esse tema, mas porque mais palavra menos palavra nada de importante acrescentaria à vozearia que se levantou, e que conferiu ao debate a dose suficiente de demagogia fácil.
Enquanto o país vive mergulhado em problemas bem mais graves, durante os últimos meses de que se entretiveram os jornalistas? «Apitos dourados», «opas» fictícias, e lá tinha de ser o «aborto»... O que eu acho incrível é como é que partidos de esquerda que assistem ao restaurar do capitalismo e do liberalismo económico à boa maneira do século XIX, com os trabalhadores a serem tratados como não eram há mais de 50 anos, abracem como grande bandeira a questão do aborto. E ninguém reparou que este filme já passou nos palcos do mundo ocidental há muitas décadas...
De resto o país , pachorrento, continua à deriva, a adiar para o dia de S. Nunca decisões importantes. A ter um sistema de saúde sofrível, uma população empobrecida e cabisbaixa, serviços públicos desacreditados e pouco eficientes, uma economia que persiste em ser fraudulenta. Por isso, não me venham falar tão cedo em aborto. Porque um país assim, está ostensivamente a sê-lo.
Enquanto o país vive mergulhado em problemas bem mais graves, durante os últimos meses de que se entretiveram os jornalistas? «Apitos dourados», «opas» fictícias, e lá tinha de ser o «aborto»... O que eu acho incrível é como é que partidos de esquerda que assistem ao restaurar do capitalismo e do liberalismo económico à boa maneira do século XIX, com os trabalhadores a serem tratados como não eram há mais de 50 anos, abracem como grande bandeira a questão do aborto. E ninguém reparou que este filme já passou nos palcos do mundo ocidental há muitas décadas...
De resto o país , pachorrento, continua à deriva, a adiar para o dia de S. Nunca decisões importantes. A ter um sistema de saúde sofrível, uma população empobrecida e cabisbaixa, serviços públicos desacreditados e pouco eficientes, uma economia que persiste em ser fraudulenta. Por isso, não me venham falar tão cedo em aborto. Porque um país assim, está ostensivamente a sê-lo.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Um compasso de espera
Uma palavra apenas para aqueles que por aqui passaram, na expectativa de encontrarem novidades. Motivos familiares têm-me absorvido de tal modo que não me resta tempo, não me resta ânimo e de imaginação nem falar!
Espero que esta fase menos boa passe. O ciclo da vida continua e, deixando para trás folhas e ramos caídos, importa aproveitar a seiva que ainda corre. Pode ser que, raiando o sol, e recobrando o vigor se preencham de novo as horas.
Espero que esta fase menos boa passe. O ciclo da vida continua e, deixando para trás folhas e ramos caídos, importa aproveitar a seiva que ainda corre. Pode ser que, raiando o sol, e recobrando o vigor se preencham de novo as horas.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Barroso

E eis-me outra vez nos confins do tempo. Debaixo duma poalha ténue, erguem-se os muros frios e escuros do envelhecido granito. Aqui e ali, fumega uma lareira, rescende o pão quente a sair do forno. É o recôndito Portugal velho que perdura em nesgas quase intocáveis à voracidade do betão.
Perto soam os chocalhos das reses e o murmurar melancólico dum regato.
Aqui e ali verdejam os lameiros a escorrer água.
Foi, assim, uma escapadela breve, em convívio com a serra e suas boas e austeras gentes, os seus aromas e sabores naturais.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
No princípio era o verbo
Em cima duma pedra estava um homem
Um homem que amarrava com as duas mãos
Um cajado
E volteando-o no ar limpo e frio
Mistura as palavras
Em busca dum poema
Cada movimento era mais um verso
Na ânsia de captar o mistério original das coisas
Fixava a luz
A clara racionalidade do cosmos
Serenava o turbilhão necessário dos seres
E em sílabas murmuradas compassadamente
Reescrevia o nascimento contínuo do mundo.
Manuel Guimarães (2007)
Um homem que amarrava com as duas mãos
Um cajado
E volteando-o no ar limpo e frio
Mistura as palavras
Em busca dum poema
Cada movimento era mais um verso
Na ânsia de captar o mistério original das coisas
Fixava a luz
A clara racionalidade do cosmos
Serenava o turbilhão necessário dos seres
E em sílabas murmuradas compassadamente
Reescrevia o nascimento contínuo do mundo.
Manuel Guimarães (2007)
sábado, dezembro 30, 2006
Vergonha
Não posso aceitar impavidamente que o mais forte imponha a sua lei, segundo sua conveniência.
Se formos coerentes, se Sadam matou inocentes ou mandou matar, então serenamente aguardaremos a execução do sr. Bush que é reponsável pela morte de dezenas de milhares de inocentes, e que mergulhou um país num abismo sem solução. Que seja feita justiça.
Se formos coerentes, se Sadam matou inocentes ou mandou matar, então serenamente aguardaremos a execução do sr. Bush que é reponsável pela morte de dezenas de milhares de inocentes, e que mergulhou um país num abismo sem solução. Que seja feita justiça.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Poema de Caeiro
Apetece-me ler Caeiro e beber a sua escrita sóbria, desinteressada, fria. Escrita, assim, num encontro da alma com sua dimensão lhana do ser, num alheamento suave. Afastar-me do ruído do mundo, do vozear confuso e caótico dos profetas da desgraça.
Agora, assim, a olhar a nudez dos troncos das árvores, a rir-me da imensa ambição dos planejadores do nosso medíocre MUNDO, eis o prazer de reler Caeiro.
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
Agora, assim, a olhar a nudez dos troncos das árvores, a rir-me da imensa ambição dos planejadores do nosso medíocre MUNDO, eis o prazer de reler Caeiro.
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
quarta-feira, novembro 29, 2006
Um novo espaço em formação
Colocar ao serviço dos meus alunos esta ferramenta (blogs) é um dos desafios que estou a tomar em mãos.
Agora no espaço sabatina lusófona irão surgir materiais de apoio para os anos da ESPL, por lá se fará algo mais para divulgar a língua e as literaturas portuguesa e lusófona.
Claro, isto tem os seus custos, este espaço (o aparipasso) tem sido esquecido, deixado de lado. Falta de tempo...de inspiração... Pode ser que esta volte...Pode ser que regresse aqui com novas reflexões, num tempo que tem sido tão sacudido por ímpetos «reformistas»..Tem sido tal a azáfama e o frenesim que estou ainda de cabeça à roda! Por isso, esta longa pausa. Vamos deixar poisar a poeira, antes que as palavras saiam perdidas e inúteis.
Agora no espaço sabatina lusófona irão surgir materiais de apoio para os anos da ESPL, por lá se fará algo mais para divulgar a língua e as literaturas portuguesa e lusófona.
Claro, isto tem os seus custos, este espaço (o aparipasso) tem sido esquecido, deixado de lado. Falta de tempo...de inspiração... Pode ser que esta volte...Pode ser que regresse aqui com novas reflexões, num tempo que tem sido tão sacudido por ímpetos «reformistas»..Tem sido tal a azáfama e o frenesim que estou ainda de cabeça à roda! Por isso, esta longa pausa. Vamos deixar poisar a poeira, antes que as palavras saiam perdidas e inúteis.
segunda-feira, outubro 23, 2006
10.000 visitas
Quando iniciei este blog, pensei que isso seria uma brincadeira inconsequente. Alguns dias depois, quem sabe meses, seria o fim. No entanto tal não aconteceu.
Para trás há já um relativamente longo percurso, a que penso dar continuidade, até que este hábito de aqui deixar a quem me visitar, os meus pensamentos, a minha maneira de ver as coisas, a minha maneira de ser.
A todos quantos por cá passaram fica uma palavra amiga: voltem sempre que possam, retribuirei se possível.
E porque já há uns tempos anda afastado, o meu amigo Manuel Guimarães decidiu voltar. Ultrapassou a inércia e, soltando-se das apoquentações mesquinhas da vida, decidiu-se por nos deixar este poema:
Atrás do biombo
Esvoaça o azul-névoa
Da seda do biombo
E em suaves reflexos
Duma luz filtrada
A doçura dum corpo
De mulher ninfa
E serpente
Se insinua se desenha
Se tocasse de leve
A lisura da seda
E quisesse passar
para além do biombo
A imagem suave da ninfa
Se esvaneceria
Assim, deste lado
Continuo à espera
de lampejos mais nítidos
da sua presença.
Manuel Guimarães
Para trás há já um relativamente longo percurso, a que penso dar continuidade, até que este hábito de aqui deixar a quem me visitar, os meus pensamentos, a minha maneira de ver as coisas, a minha maneira de ser.
A todos quantos por cá passaram fica uma palavra amiga: voltem sempre que possam, retribuirei se possível.
E porque já há uns tempos anda afastado, o meu amigo Manuel Guimarães decidiu voltar. Ultrapassou a inércia e, soltando-se das apoquentações mesquinhas da vida, decidiu-se por nos deixar este poema:
Atrás do biombo
Esvoaça o azul-névoa
Da seda do biombo
E em suaves reflexos
Duma luz filtrada
A doçura dum corpo
De mulher ninfa
E serpente
Se insinua se desenha
Se tocasse de leve
A lisura da seda
E quisesse passar
para além do biombo
A imagem suave da ninfa
Se esvaneceria
Assim, deste lado
Continuo à espera
de lampejos mais nítidos
da sua presença.
Manuel Guimarães
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